• A volta às aulas presenciais implica um número grande de ações e providências em diferentes campos. Elas vão desde a construção de um rígido protocolo de segurança da saúde até a aquisição e distribuição de equipamentos de proteção individual (EPI) aos professores e trabalhadores da educação, do manejo e produção da alimentação escolar ao escalonamento do transporte escolar, sem esquecer todas as questões pedagógicas, como a reposição dos conteúdos e a avaliação diagnóstica para ajudar alunos e professores no processo de recuperação das habilidades e competências estruturantes. O planejamento para o retorno à escola após a pandemia, portanto, é bastante complexo e vai exigir dos gestores e professores muito mais do que as costumeiras programações anuais.

    Dois eixos merecem especial atenção: o acolhimento de docentes, alunos e profissionais da educação e a articulação entre as redes estaduais, municipais e privada para se programar um retorno articulado, com cronogramas diversos mas sincrônicos. Com isso concordam todos os debatedores deste Webinar, os secretários estaduais de educação de São Paulo, Rossieli Soares, e do Maranhão, Felipe Camarão, a ex-secretária estadual de educação do Ceará e atual líder de projetos do Centro de Gestão Pública e Políticas Educacionais da FGV Sofia Lerche, o membro do Conselho Nacional de Educação (CNE) Eduardo Deschamps, o presidente da Undime-Nordeste e também membro do CNE Aléssio Costa Lima e a mediadora Tatiana Bello, gerente de implementação do Itaú Social.

    Ao planejar a retomada, é imprescindível lembrar que estamos voltando de um momento gravíssimo, de perdas, stress e, em muitos casos, até mesmo de violências, violência doméstica e fome.  Portanto, é recomendado que a primeira preocupação seja com a situação emocional das pessoas. A escola deve ser um espaço de refúgio em meio ao caos.

    Necessário, ainda, assegurar o princípio constitucional que garante igualdade de acesso e permanência na escola. Para isso, os gestores precisam ter um olhar atento à questão da diversidade e das desigualdades existentes no país e lembrar que os 5.568 municípios brasileiros são muito diferentes, que as condições operacionais existentes são muito diversas e que, em algumas redes, elas ainda são bastante incipientes. 

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  • Passar de um modelo tradicional de escola, onde os alunos se reúnem para aprender, para um modelo em que é preciso levar o ensino à casa do estudante implica complexas questões logísticas. É preciso, entre outras coisas, garantir o fluxo físico do material da escola para as residências dos estudantes e professores – o que envolve planejamento, custos, manuseio e transporte – e assegurar que a alimentação escolar chegue aos alunos.

                Se você se interessa em buscar soluções para as imensas dificuldades que se colocam às secretarias estaduais e municipais de educação na pandemia, não deixe de assistir este Webinar. Nele, os secretários de educação de Pernambuco, Frederico Amâncio, e de São Paulo, Rossieli Soares, o ex-presidente do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), José Carlos Freitas, e a professora Priscila Miguel, coordenadora do Centro de Excelência em Logística e Supply Chain da FGV, discutem a volta às aulas ainda durante, e mesmo após, a pandemia e os caminhos para enfrentar os desafios.

    A primeira etapa a ser enfrentada é a revisão orçamentária. Em função da queda das receitas, será necessário cortar despesas, adotar novas estratégias para as compras públicas e revisar contratos, de modo a otimizar os recursos. Neste campo, um dos principais encargos será a adequação dos contratos dos professores e trabalhadores terceirizados, que exigirão diferentes soluções negociadas e com preocupação social.

                Ao mesmo tempo, novos protocolos de saúde e segurança no tocante à manutenção e limpeza das escolas, aquisição de equipamentos de saúde e segurança para os trabalhadores da educação, investimentos em comunicação e sinalização dos prédios e capacitação de professores, coordenadores e gestores são outras questões a serem resolvidas antes que os estudantes voltem às salas de aula. Fundamentais, ainda, um minucioso planejamento para a reposição da carga horária não cumprida e a construção de estratégia e planejamento pós-Covid-19.

    Apesar dos desafios, os debatedores parecem concordar que a pandemia está representando uma oportunidade para o Brasil dar um salto geracional no uso da tecnologia digital na educação e para desmistificar o preconceito de que ela iria substituir o professor. Na verdade, a experiência atual tem demonstrado que a tecnologia é um complemento, um instrumento a mais a ser usado pelos docentes em seu esforço para levar educação a todos os alunos, inclusive àqueles que não têm acesso à Internet.

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  • Com a “desmaterialização” da escola, seus ruídos, seus cheiros, sua socialização, decorrente do isolamento social devido à pandemia, alunos e professores passaram a conviver num novo espaço/tempo de aprendizagem. Para eles, o novo “normal” implica lives, Zoom Teams, Meet, plataforma Moodle, aulas remotas, estudo em casa e portais na internet. Ou seja, a Covid-19 levou escolas públicas e privadas e redes estaduais e municipais de ensino a solucionar, hoje, questões que estavam sendo debatidas já tempos, como a utilização da tecnologia na educação.

    Como diminuir o isolamento dos docentes e estudantes durante a pandemia? De que maneira manter a rotina de ensino? Qual o modo de trabalhar para que os alunos não percam o semestre? E como impedir a evasão escolar sem que haja uma escola aonde ir? Para obter respostas a estas e outras perguntas, assista este Webinar Educação mediada por tecnologia em tempos de pandemia. Nele, os secretários de educação dos estados da Paraíba, Cláudio Furtado, e do Rio de Janeiro, Pedro Fernandes, e as professoras Maria da Graça Moreira da Silva, do programa de pós-graduação em educação da PUC de São Paulo, e Tatiana Soster, da FGV, debatem as diferentes maneiras de ministrar educação longe da escola. E concordam que as tecnologias digitais tornaram-se imprescindíveis tanto na administração quanto no processo de aprendizagem e de avaliação.

    Segundo os debatedores, foram necessárias duas estratégias para manter o processo ensino-aprendizagem, uma voltada aos alunos com estrutura digital em casa e a outra, aos que não tinham acesso à internet. No Rio de Janeiro, por exemplo, embora 80% dos estudantes tenham acesso fácil à rede, o governo estadual doou “chips” a todos os alunos e professores visando ampliar a possibilidade de acesso à internet. Além disso, firmou parceria com uma TV aberta para a transmissão de duas horas diárias de aulas, priorizando o ensino médio. Na Paraíba, em que apenas 27% do alunado possuem computadores em casa e 63% têm acesso por celular, foi preciso criar mais soluções para garantir o ensino: plataforma educacional, templates, aulas via TV aberta e até o tradicional uso de material impresso e roteiros de estudo para estudantes e professores. Todas as soluções, contudo, passaram antes pelas escolas, que, apesar de “desmaterializadas”, terminaram estreitando seus laços com as famílias e as comunidades.

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