• Educar bebês e crianças pequenas da educação infantil durante a pandemia, com todos os protocolos e limites impostos pela Covid-19, é um dos desafios que se impõem aos professores e assistentes de turma que trabalham nesse nível da educação básica brasileira. Tocar, abraçar, acarinhar, beijar, e até morder, são parte intrínseca das relações e interações entre as crianças e os adultos e as crianças entre si, nesta fase da vida. Como lidar com isso em tempos em que o isolamento social, o uso de máscaras e o distanciamento físico são mandatórios? Como permitir a volta dessas crianças às creches e escolas garantindo sua segurança sanitária e protegendo-as do contágio?

    Neste webinário, Beatriz Cortese, gerente de programas e projetos do Centro de Estudos e Pesquisas em Educação, Cultura e Ação Comunitária (Cenpec), Eduardo Massad, médico epidemiologista, professor e pesquisador da FGV, Leandro Bassini, secretário municipal de educação de Suzano (SP), Luiz Miguel Garcia, presidente da Undime nacional, Rita Coelho, pesquisadora da Universidade Federal de Juiz de Fora, membro do Movimento Interfóruns de Educação Infantil do Brasil (Mieib) e ex-coordenadora de educação infantil do Ministério da Educação e Silvia Pereira de Carvalho, coordenadora executiva do Instituto Avisa Lá, tendo como moderadora a coordenadora de implementação e mestre em educação pela PUC-SP Claudia Petri, discutem as grandes questões que se descortinam diante da educação infantil na pandemia e as estratégias para enfrentar os desafios que se colocam à sua frente.

    Pesquisa feita com secretários de educação de 48 municípios do Nordeste e do estado de São Paulo revelou que a principal preocupação desses gestores é o abandono escolar, que já está ocorrendo tanto na rede particular quanto na pública. Ao mesmo tempo, os retornos e interações entre as escolas e as famílias têm diminuído na medida em que o estar das crianças em casa está se “naturalizando”. Mapear as famílias em que pode haver maior perigo de abandono da educação, num concentrado esforço de busca ativa escolar, e ampliar as ações para manter e estreitar o vínculo das famílias com a escola parecem ser as principais soluções a serem buscadas por gestores, diretores e professores dessa etapa da educação básica.

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  • Tendo como moderadora a coordenadora de implementação do Itaú Social, Sonia Dias, e como palestrantes o diretor de políticas públicas da Fundação Santillana, André Lázaro, a professora, ex-secretária de educação de Minas Gerais e de Belo Horizonte e ex-secretária de diversidade e inclusão do Ministério da Educação Macaé Evaristo, o professor titular da Universidade Federal do Recôncavo Baiana (UFRB), presidente do Conselho Estadual de Educação da Bahia e também ex-secretário de diversidade e inclusão do MEC Paulo Gabriel Nacif e Rodrigo Mendes, superintendente do Instituto Rodrigo Mendes, este webinar trata de uma das mais tristes e cruéis dívidas sociais que o Brasil tem até hoje, passados mais de 500 anos de sua descoberta: a desigualdade social, que tem como um de seus corolários a exclusão educacional. Durante quase duas horas, os debatedores discutem como garantir acesso, permanência e aprendizado com equidade para crianças e jovens, independentemente de sua condição racial, étnica, socioeconômica ou por ter ou não alguma deficiência.

    Como sair da lógica da evasão e trabalhar a permanência dessas crianças? E como pensar numa permanência que não seja obrigatoriamente dentro de uma sala de aula? A infraestrutura existente nas escolas públicas de educação básica é incompatível com a necessidade de garantir segurança sanitária aos alunos. Até a pandemia, escolas chegavam a abrigar 40 alunos por sala de aula, número impensável em tempos de coronavírus. É mandatório, portanto, pensar em novos tempos e novos espaços para o processo ensino-aprendizagem. Uma das sugestões é seguir o exemplo de muitas escolas de educação do campo que trabalham com proposta pedagógica dividida em tempo-escola e tempo-comunidade, em que os estudantes passam períodos do ano letivo tendo aulas presenciais e outros períodos em que estudam em casa, já que precisam ajudar nos afazeres da comunidade. No entanto, para adotar um modelo semelhante, é preciso, antes, garantir uma política que universalize a inclusão e educação digital, com 100% de internet banda larga em todas as regiões do país, o que parece um sonho ainda distante, especialmente para as populações menos favorecidas

    Outras questões abordadas foram a reorganização do conteúdo curricular pós-pandemia, novas maneiras de trabalhar e de se agrupar e os protocolos a serem seguidos para a volta às aulas dos alunos com deficiências.

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  • Pesquisa desenvolvida pelo Todos pela Educação e Instituto Unibanco estima que os gastos adicionais das redes estaduais de ensino com a pandemia, no primeiro semestre de 2020, alcançaram quase R$ 2 bilhões, sendo R$ 1,5 bilhão com alimentação escolar, R$ 422 milhões com ensino remoto e R$ 55 milhões com diversas ações, como formação de professores. A volta à escola vai representar ainda mais despesas, com a compra de equipamentos de limpeza e higiene, reforma de banheiros, redimensionamento de salas e espaços para a redução das turmas, aumento das matrículas nas redes estaduais com a chegada de alunos da iniciativa privada, infraestrutura pedagógica para redução dos déficits de aprendizagem e abertura de escolas nos finais de semana.

                O financiamento da educação tem como fundamento a arrecadação dos impostos, que vão formar o Fundeb, e o salário-educação. O salário-educação tem caído em função do desemprego, assim como a arrecadação de impostos. O financiamento da educação, portanto, depende da economia do país. Diferentes cenários preveem reduções nas receitas da educação em 2020 que vão de R$ 9 bilhões a R$ 27 bilhões.

    Diante dessa situação conjuntural, como garantir recursos para a educação? A medida mais urgente é a votação, pelo Congresso Nacional, da renovação e aprimoramento do Fundeb, para ter vigência a partir de 1/1/2021. Outras seriam a implantação de reajustes anuais dos valores per capita/aluno dos programas universais do FNDE de acordo com a inflação, socorro emergencial da União para a educação básica e aumento da complementação da União ao Fundeb em 2020.

    Apesar de os recursos para a educação serem prioridade da Constituição Federal, eles não estão protegidos das crises econômicas. Importante, portanto, aprovar uma legislação que resguarde o financiamento da educação das instabilidades econômicas, como ocorre na área da saúde, cujo financiamento está salvaguardado pela variação da inflação.

    Se você quer saber mais a respeito, assista este oitavo webinário da série Desafios da educação básica em tempos de pandemia. Mediados pelo coordenador do FGV DGPE e ex-presidente do FNDE Romeu Caputo, os palestrantes Caio Callegari, coordenador do Todos Pela Educação, João Bernardo Bringel, ex-secretário do Orçamento Federal, ex-secretário executivo do Ministério do Planejamento e líder de projetos do FGV DGPE, Josué Modesto, secretário de educação, esporte e cultura de Sergipe, Luiz Miguel Garcia, presidente da Undime, Mariza Abreu, ex-secretária municipal e estadual de educação e consultora, e Nalú Farenzena, professora da UFRGS e presidente da Associação Nacional de Pesquisa em Financiamento da Educação, apresentam sugestões e medidas para superar os desafios financeiros impostos à educação pela pandemia.

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  • Um dos principais elementos do processo ensino-aprendizagem, os professores estão lidando com os desafios e questões cotidianas decorrentes do isolamento social de maneira totalmente empírica. Apesar de o Brasil ter tido 45 dias para se preparar para enfrentar a pandemia, concretamente muito pouco, ou mesmo nada, foi feito pelas redes estaduais e municipais de ensino para capacitar o corpo docente a manejar um novo jeito de ensinar. De repente, eles se viram sem formação sobre o uso da tecnologia na educação, tendo de utilizar seus próprios computadores e celulares para dar aulas e se relacionar com os alunos e seus familiares, orientando pais a acompanhar os estudos dos filhos e sendo obrigados a trabalhar noite adentro para responder às centenas de emails com perguntas e pedidos de orientação de alunos e pais. Sem contar que boa parte deles trabalhava em casa, com filhos ao redor e tendo de lidar com todos os afazeres domésticos.

    Como enfrentar tudo isso? Como vencer o estresse decorrente dessa situação? Como evitar que a falta de acesso às aulas virtuais agrave ainda mais as desigualdades educacionais existentes no país? Como ensinar os alunos e impedir que abandonem a escola? Como repor o conteúdo que não foi transmitido? E que “novo normal” é esse?

    Se você está interessado nessas e em questões semelhantes, assista este webinar. Tendo como moderadora a professora Fátima Bayma, da FGV EBAPE, os debatedores – Diego Navarro de Barros, professor de educação básica do município de São Paulo, Fabíola Nagano, pedagoga e professora na Escola Estadual de Período Integral Alfredo Paulino (SP), Ivan Siqueira, presidente da Câmara de Educação Básica do Conselho Nacional de Educação, Maria do Pilar Lacerda, diretora da Fundação SM e ex-secretária de educação básica do MEC, Maria Regina dos Passos Pereira, bióloga, pedagoga, mestre em psicologia da educação e doutora em linguística aplicada e Sara Vergílio, professora de biologia e ciências dos ensinos fundamental II e médio da rede estadual de educação de São Paulo – discutem os efeitos da pandemia no cotidiano dos professores, dão respostas e oferecem sugestões para a construção de um modelo de ensino mais contemporâneo e de acordo com o século 21. Num ponto, todos concordam: o país está diante de uma grande oportunidade para inovar a escola pública.

     

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    A inexistência de um sistema nacional de educação e a ausência do MEC na liderança das articulações em busca de caminhos para o enfrentamento dos desafios educacionais durante a pandemia levaram o Conselho Nacional dos Secretários Estaduais de Educação (Consed) e a União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação (Undime) a assumirem o papel de condutores e coordenadores dos entendimentos entre as diferentes instâncias da rede pública de ensino para resolver essas questões. Ao fazê-lo, as duas entidades contribuíram para o fortalecimento do regime de colaboração entre estados e municípios diante de uma crise sem precedentes no país.

                A partir desta constatação, os debatedores deste webinar – Adriana Sperandio, secretária de educação de Vitória, Anna Helena Altenfelder, presidente do conselho e diretora executiva interina do Centro de Estudos e Pesquisas em Educação, Cultura e Ação Comunitária (Cenpec), Binho Marques, ex-governador do Acre e ex-secretário de Articulação dos Sistemas de Ensino do MEC, João Marcelo Borges, diretor de estratégia política da ONG Todos Pela Educação, Marcelo Ferreira da Costa, vice-presidente da Undime nacional, e Natalino Uggioni, secretário da educação de Santa Catarina, tendo como moderador Bernardo Fajardo, professor da Ebape da FGV – discutiram quais os passos a serem dados, para além da pandemia, em busca do incremento dessa cooperação para enfrentar os graves problemas que a educação brasileira tem pela frente.

                Para eles, se a articulação entre estados e municípios já era importante antes da pandemia, ela tornou-se ainda mais necessária para os secretários estaduais e municipais de educação cumprirem suas responsabilidades como gestores, já que o alinhamento dos diferentes entes federativos tem de se dar em macro decisões e em assuntos cotidianos, como os horários do ônibus escolar que transporta alunos tanto do ensino fundamental quanto do ensino médio ou o trato com as cooperativas que fornecem produtos para a alimentação escolar de alunos do estado e dos municípios.

    Uma das sugestões para tornar a colaboração mais efetiva e de melhor qualidade seria Consed e Undime criarem uma instância nacional de pacto federativo, inclusive com a formalização de acordos, consensos, pactuações e documentos oficiais conjuntos, que fortalecesse sua posição nas lutas por melhorias na educação, como a aprovação do novo Fundeb, a valorização dos professores e a formação docente.

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  • Dinamarca e Noruega privilegiaram a educação infantil na volta às escolas por ser um público com mais dificuldade em aderir à educação a distância. Portugal decidiu retomar as aulas dos alunos maiores. Já a China optou por reabrir as escolas situadas em áreas menos afetadas e em privilegiar os estudantes que estão perto da formatura. E no Brasil, como será a retomada das aulas presenciais? O que a experiência dos outros países pode ensinar gestores, diretores, professores e pais a fazer, e a não fazer, nesse momento?

    Estas e até mesmo questões que passam longe das salas de aula, mas perto dos alunos, são abordadas pelos debatedores deste webinar – Marlova Noleto, diretora da Unesco no Brasil, Priscila Cruz, presidente-executiva da ONG Todos Pela Educação, Ítalo Dutra, chefe da área de educação do Unicef no Brasil, Marcelo Perez, especialista líder em educação do Banco Interamericano de Desenvolvimento, Raphael Callou, diretor da Organização de Estados Ibero-americanos para a Educação, a Ciência e a Cultura (OEI) no Brasil, Felipe Camarão, secretário de educação do Maranhão, e Luiz Miguel Garcia, presidente da Undime Nacional –, com moderação de Jaana Nogueira, coordenadora do  Centro de Desenvolvimento da Gestão Pública e Políticas Educacionais da FGV.

    Estudos de larga escala para saber como sistemas educacionais conseguiram sair de situações como pandemias, tsunamis e guerra revelam que a tarefa de recuperar o passado e dar passos em direção ao futuro exige o cumprimento de certas recomendações, a primeira delas a de haver estreita comunicação entre os gestores educacionais e as famílias. A segunda recomendação é a da intersetorialidade, ou seja, um trabalho conjunto da educação, saúde, economia e assistência social leva a um melhor resultado. A terceira recomendação refere-se a gestão e financiamento. A realização de uma avaliação diagnóstica é fundamental para que gestores e professores conheçam as defasagens de aprendizagem entre os alunos e, a partir daí, tracem novas estratégias e ações, entre elas a capacitação dos docentes para o acolhimento dos estudantes e para utilização da tecnologia como ferramenta suplementar ao ensino presencial. O financiamento, aqui, é fundamental e estruturante, pois permitirá um fluxo de recursos que possibilitem todas essas ações, inclusive aquelas básicas para a retomada das aulas, como o fornecimento de kits com máscaras e álcool em gel para estudantes, professores e demais trabalhadores da educação. 

    A ausência de uma liderança nacional à frente da educação durante a pandemia tem dificultado o trabalho de estados e municípios, inclusive em estabelecer protocolos pedagógicos e sanitários para a volta à escola. A indefinição federal quanto ao Fundeb traz ainda mais insegurança ao setor, obrigado a atuar sem saber com quais fontes de financiamento poderá contar para voltar ao “novo normal”. Por outro lado, a inação do MEC abriu a oportunidade para que estados, municípios e demais agências ligadas à educação se unissem e estabelecessem um processo de diálogo, debate e troca de informações bastante profícuo.

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  • A FGV Editora, o Centro de Desenvolvimento da Gestão Pública e Políticas Educacionais (FGV DGPE) e o FGV Ensino Médio promovem, no dia 4 de junho, à 18h00, o encontro dos autores do livro "O novo ensino médio e os itinerários formativos" para lançamento da obra e debate sobre o tema. O livro, organizado por José Henrique Paim, Marieta de Moraes Ferreira e Jaana Flávia Fernandes Nogueira e publicado pela FGV Editora, é resultado do segundo seminário sobre o tema, realizado em 2019, e apresenta as reflexões sobre a trajetória do ensino médio no país e as possibilidades colocadas com o chamado novo ensino médio, orientações gerais a partir das diretrizes apresentadas nas normas dessa reforma, aspectos legais e normativos referentes ao ensino médio, desafios e projetos emergidos da implantação dos novos currículos baseados na bifurcação formação geral básica e itinerários formativos, bem como experiências e expectativas da implementação em São Paulo, Mato Grosso do Sul, Ceará, Rio Grande do Norte e Piauí, fazem parte desta coletânea de artigos que permanecem na ordem do dia. Neste evento, os autores promovem a continuidade dos debates sobre as condições atuais da implementação da reforma do ensino médio, apresentam novas questões relacionadas ao tema, bem como abordam as condições atuais de alunos e professores neste ano. O Webinar contará com a participação dos palestrantes e autores da obra, José Henrique Paim (Diretor do FGV DGPE), Marieta de Moraes Ferreira (Diretora do FGV Ensino Médio), Ellen Gera (Secretário de Educação do Piauí), Getúlio Marques (Secretário de Educação do Rio Grande do Norte) e Maria Cecilia Amendola Motta (Presidente do Conselho Nacional de Secretários da Educação (Consed) e Secretária estadual de Educação de Mato Grosso do Sul) e também com comentários e questões colocadas pelos demais autores. Palestrantes: Ellen Gera - Secretário de Educação do Piauí Getúlio Marques - Secretário de Educação do Rio Grande do Norte Maria Cecilia Amendola Motta - Presidente do Conselho Nacional de Secretários da Educação (Consed) e Secretária estadual de Educação de Mato Grosso do Sul. Jaana Flávia Fernandes - Coordenadora do FGV DGPE Moderadores: José Henrique Paim - Diretor do FGV DGPE Marieta de Moraes Ferreira - Diretora da FGV Editora e do FGV Ensino Médio O ebook ‘O Novo Ensino Médio e os Itinerários Formativos’ está disponível em: https://editora.fgv.br/produto/o-novo... -----

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  • No momento em que se aproxima a volta às aulas presenciais, uma questão que se impõe é como deve ser feita a avaliação da aprendizagem ocorrida durante a pandemia. Para os debatedores Francisco Soares, membro do Conselho Nacional de Educação, Luiz Miguel Garcia, presidente da União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação (Undime), os secretários estaduais da educação da Bahia, Jerônimo Rodrigues, de Pernambuco, Frederico Amâncio, e do Piauí, Ellen Gera, e a mediadora Marieta de Moraes Ferreira, coordenadora do FGV Ensino Médio, a avaliação tem de ser ferramenta de atração, e não de evasão, do aluno para a escola. A prioridade é manter seu vínculo com a escola, a fim de impedir a evasão e o abandono, já que é grande o risco de isso ocorrer.

    A avaliação pós-pandemia deve ser feita sob nova perspectiva. Considerando que a linha entre ensinar e avaliar é muito pequena, é interessante realizar uma avaliação para a aprendizagem, ou seja, criar uma mesma atividade que sirva a ambas as ações. Por exemplo, entregar um texto e perguntas para os alunos responderem sobre a cloroquina ou sobre o uso de máscaras.

    No entanto, a principal avaliação na retomada das aulas presenciais é a avaliação diagnóstica, para saber o que cada estudante aprendeu nesse período fora da escola. A partir de seus resultados é que será possível compreender as lacunas na aprendizagem e redistribuir as disciplinas para garantir os direitos de aprendizagem dos alunos.

    É importante, ainda, que seja levado às crianças, jovens e famílias um novo olhar sobre esse momento: o de que um semestre ou um ano em que tudo foi vivido com tanta intensidade nunca será perdido. Todos vamos ter ganho em vida, uma vida vivida muito intensamente. E lembrar que todos estamos tendo aprendizagens múltiplas, com famílias se redescobrindo, filhos descobrindo pais, encontrando novas formas de estar e de se divertir juntos, novas formas de trabalhar, de estudar e de aprender.

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  • A volta às aulas presenciais implica um número grande de ações e providências em diferentes campos. Elas vão desde a construção de um rígido protocolo de segurança da saúde até a aquisição e distribuição de equipamentos de proteção individual (EPI) aos professores e trabalhadores da educação, do manejo e produção da alimentação escolar ao escalonamento do transporte escolar, sem esquecer todas as questões pedagógicas, como a reposição dos conteúdos e a avaliação diagnóstica para ajudar alunos e professores no processo de recuperação das habilidades e competências estruturantes. O planejamento para o retorno à escola após a pandemia, portanto, é bastante complexo e vai exigir dos gestores e professores muito mais do que as costumeiras programações anuais.

    Dois eixos merecem especial atenção: o acolhimento de docentes, alunos e profissionais da educação e a articulação entre as redes estaduais, municipais e privada para se programar um retorno articulado, com cronogramas diversos mas sincrônicos. Com isso concordam todos os debatedores deste Webinar, os secretários estaduais de educação de São Paulo, Rossieli Soares, e do Maranhão, Felipe Camarão, a ex-secretária estadual de educação do Ceará e atual líder de projetos do Centro de Gestão Pública e Políticas Educacionais da FGV Sofia Lerche, o membro do Conselho Nacional de Educação (CNE) Eduardo Deschamps, o presidente da Undime-Nordeste e também membro do CNE Aléssio Costa Lima e a mediadora Tatiana Bello, gerente de implementação do Itaú Social.

    Ao planejar a retomada, é imprescindível lembrar que estamos voltando de um momento gravíssimo, de perdas, stress e, em muitos casos, até mesmo de violências, violência doméstica e fome.  Portanto, é recomendado que a primeira preocupação seja com a situação emocional das pessoas. A escola deve ser um espaço de refúgio em meio ao caos.

    Necessário, ainda, assegurar o princípio constitucional que garante igualdade de acesso e permanência na escola. Para isso, os gestores precisam ter um olhar atento à questão da diversidade e das desigualdades existentes no país e lembrar que os 5.568 municípios brasileiros são muito diferentes, que as condições operacionais existentes são muito diversas e que, em algumas redes, elas ainda são bastante incipientes. 

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  • Passar de um modelo tradicional de escola, onde os alunos se reúnem para aprender, para um modelo em que é preciso levar o ensino à casa do estudante implica complexas questões logísticas. É preciso, entre outras coisas, garantir o fluxo físico do material da escola para as residências dos estudantes e professores – o que envolve planejamento, custos, manuseio e transporte – e assegurar que a alimentação escolar chegue aos alunos.

                Se você se interessa em buscar soluções para as imensas dificuldades que se colocam às secretarias estaduais e municipais de educação na pandemia, não deixe de assistir este Webinar. Nele, os secretários de educação de Pernambuco, Frederico Amâncio, e de São Paulo, Rossieli Soares, o ex-presidente do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), José Carlos Freitas, e a professora Priscila Miguel, coordenadora do Centro de Excelência em Logística e Supply Chain da FGV, discutem a volta às aulas ainda durante, e mesmo após, a pandemia e os caminhos para enfrentar os desafios.

    A primeira etapa a ser enfrentada é a revisão orçamentária. Em função da queda das receitas, será necessário cortar despesas, adotar novas estratégias para as compras públicas e revisar contratos, de modo a otimizar os recursos. Neste campo, um dos principais encargos será a adequação dos contratos dos professores e trabalhadores terceirizados, que exigirão diferentes soluções negociadas e com preocupação social.

                Ao mesmo tempo, novos protocolos de saúde e segurança no tocante à manutenção e limpeza das escolas, aquisição de equipamentos de saúde e segurança para os trabalhadores da educação, investimentos em comunicação e sinalização dos prédios e capacitação de professores, coordenadores e gestores são outras questões a serem resolvidas antes que os estudantes voltem às salas de aula. Fundamentais, ainda, um minucioso planejamento para a reposição da carga horária não cumprida e a construção de estratégia e planejamento pós-Covid-19.

    Apesar dos desafios, os debatedores parecem concordar que a pandemia está representando uma oportunidade para o Brasil dar um salto geracional no uso da tecnologia digital na educação e para desmistificar o preconceito de que ela iria substituir o professor. Na verdade, a experiência atual tem demonstrado que a tecnologia é um complemento, um instrumento a mais a ser usado pelos docentes em seu esforço para levar educação a todos os alunos, inclusive àqueles que não têm acesso à Internet.

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